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Para ler textos importantes eu pedalo 15 minutos até o parque

Mas dessa vez, nem parece. Fui fazer o trajeto da nova ciclovia da Marginal Pinheiros e São Paulo estava irreconhecível.

Dá uma olhada:

De bike na Marginal

No dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, eu tive a oportunidade de participar do World Bike Tour, um evento fechou a Marginal Pinheiros para um passeio com 6 mil ciclistas que saiu da ponte estaiada e foi até a USP.

Fiz um vídeo pra Época SP que compartilho por aqui.

Fiz esse vídeo para a Época São Paulo para mostrar a estrutura de mobilidade urbana criada em Bogotá em apenas dez anos.

Ciclofaixa em Sampa

Ontem foi inaugurada a primeira ciclofaixa de São Paulo. As avenidas República do Líbano, Faria Lima e Juscelino Kubitcheck ganharam uma faixa exclusiva para o trânsito de bicicletas que vai funcionar aos domingos, das 7h às 12h. É uma iniciativa destinada aos ciclistas de fim de semana, que interliga os parques das Bicicletas, Ibirapuera e do Povo. A ciclofaixa começa no cruzamento entre as avenidas República do Líbano e Ibirapuera, em frente ao parque das Bicicletas, pertinho de casa. Fui lá conferir a euforia dos cerca de 9000 ciclistas e skatistas que estavam felizes da vida andando livremente pela faixa da esquerda, enquanto o transito estava parado na avenida República do Líbano. Foi uma delícia pedalar pelo trajeto, inda mais com o sol que fez no domingo.

Ciclofaixa: trânsito livre de bicicletas e engarrafamento de carros

Ciclofaixa: trânsito livre de bicicletas e engarrafamento de carros

Mas, passeando ontem pela ciclofaixa, não pude deixar de comparar a iniciativa às ciclovias de Bogotá. Ciclovia, por lá, são as avenidas fechadas para o trânsito de bicicletas aos domingos. Elas funcionam aos domingos das 7h às 14h e se estendem por CENTO E VINTE QUILÔMETROS de avenidas inteiras (não é só uma faixinha não!). Estima-se que 1,5 milhões de pessoas freqüentem as ciclovias de Bogotá. Eu completei o trajeto em uma hora e meia. Já os 5 quilômetros de ciclofaixa paulistana eu percorri em 20 minutos (o espaço é muito estreito e não dá para correr tanto). Em Bogotá, as ciclovias também são acompanhadas de barraquinhas de petiscos dos mais variados em todo o trajeto e mecânicos de bicicletas que prestam serviços a quem tiver problemas com suas magrelas.

Ciclovia em Bogotá

Ciclovia em Bogotá

Eu sei, é difícil comparar a viabilidade de fechar vias para o trânsito de ciclistas nas duas cidades. Em São Paulo, o fechamento parcial da República do Líbano já provocou um engarrafamento pesado. Em pleno domingo de manhã. Mas também é fato que os ciclistas de São Paulo estão sedentos por mais infra-estrutura para usarem suas magrelas pela cidade. O meu jeito de driblar as subidas e avenidas perigosas foi comprar uma bike dobrável para integrá-la ao transporte público da cidade. Virei ciclista há menos de um ano, mas já posso dizer, depois de morar por um mês em Bogotá, que tem 320 quilômetros de vias exclusivas para ciclistas, que São Paulo está ANOS-LUZ atrasada. E eu espero de verdade estar testemunhando o começo de uma grande mudança na cidade.

Ciclofaixa: mais de 9000 pessoas na pedalada inaugural

Ciclofaixa: mais de 9000 pessoas na pedalada inaugural

Cordialidade e perigo

Bogotá é a cidade que possui o Transmilênio (malha de ônibus que revolucionou o transporte público), mas não tem balança para pesar os legumes no mercado: o vendedor chuta um preço para a quantidade que você escolheu. É uma cidade de contrastes. Contrastes que eu senti na pele.

Pedalando pela carrera septima, uma espécie de avenida Paulista de Bogotá, fui fechada por uma moto, me desequilibrei e dei com a roda dianteira no retrovisor de um carro. Desci imediatamente da bicicleta para me desculpar. O motorista também se apressou em sair do carro para ter certeza de que eu estava bem. Prometi que pagaria pelo conserto. “Tranquila”, me respondeu ele sorrindo enquanto o semáforo abria e dezenas de carros nervosos esperavam que ele voltasse logo ao seu lugar de motorista. Desentortou o espelhinho e seguiu viagem.

Na pedalada de volta para casa, passei por uma avenida em obras, com um caminho BEM estreito para caminhar. Como não quis atrapalhar os pedestres, desci e empurrei a bike. Cinco bogotenhos fizeram carra de espanto e gritaram num castelhano desesperado o que identifiquei como “CORRE”. Olhei para trás e vi dois homens, um com um pedaço de pau, vindo na minha direção. Subi na bicicleta e arregacei de pedalar para fugir deles. É bem comum golpearem ciclistas na cabeça para roubarem suas bicicletas por aqui, me contou um guarda que abordei umas cinco quadras depois. Ele me ajudou a encontrar um caminho mais seguro e parou o trânsito para que eu pudesse atravessar a avenida.

A cordialidade e o perigo disputam caminho por aqui. Passei a só pedalar à luz do sol.

Mauricio Carrasquilla é daquele tipo que tromba um conhecido em cada esquina. Cheio de simpatia, me conheceu pedalando e simpatizou de cara. Maurício é um entusiasta da bicicleta como meio de transporte na cidade. “Você se mete nos becos e descobre as entranhas da cidade”, ensina. Artista plástico, pintor, escultor e voluntário numa fundação que ensina crianças a fazerem artesanato, ele participou da Volta Culural Colômbia de bicicleta em 1983 e desenvolveu um projeto de ciclorutas para Bogotá em 1988. As semelhanças entre o projeto de Maurício e a cicloruta que foi construída são impressionantes.

Gostou? Então veja entrevistas com outros ciclistas de Bogotá: a canadense Heather Sue e o americano Mike Ceasers.