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Posts Tagged ‘Bicicleta’

Bogotá é a cidade que possui o Transmilênio (malha de ônibus que revolucionou o transporte público), mas não tem balança para pesar os legumes no mercado: o vendedor chuta um preço para a quantidade que você escolheu. É uma cidade de contrastes. Contrastes que eu senti na pele.

Pedalando pela carrera septima, uma espécie de avenida Paulista de Bogotá, fui fechada por uma moto, me desequilibrei e dei com a roda dianteira no retrovisor de um carro. Desci imediatamente da bicicleta para me desculpar. O motorista também se apressou em sair do carro para ter certeza de que eu estava bem. Prometi que pagaria pelo conserto. “Tranquila”, me respondeu ele sorrindo enquanto o semáforo abria e dezenas de carros nervosos esperavam que ele voltasse logo ao seu lugar de motorista. Desentortou o espelhinho e seguiu viagem.

Na pedalada de volta para casa, passei por uma avenida em obras, com um caminho BEM estreito para caminhar. Como não quis atrapalhar os pedestres, desci e empurrei a bike. Cinco bogotenhos fizeram carra de espanto e gritaram num castelhano desesperado o que identifiquei como “CORRE”. Olhei para trás e vi dois homens, um com um pedaço de pau, vindo na minha direção. Subi na bicicleta e arregacei de pedalar para fugir deles. É bem comum golpearem ciclistas na cabeça para roubarem suas bicicletas por aqui, me contou um guarda que abordei umas cinco quadras depois. Ele me ajudou a encontrar um caminho mais seguro e parou o trânsito para que eu pudesse atravessar a avenida.

A cordialidade e o perigo disputam caminho por aqui. Passei a só pedalar à luz do sol.

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Mauricio Carrasquilla é daquele tipo que tromba um conhecido em cada esquina. Cheio de simpatia, me conheceu pedalando e simpatizou de cara. Maurício é um entusiasta da bicicleta como meio de transporte na cidade. “Você se mete nos becos e descobre as entranhas da cidade”, ensina. Artista plástico, pintor, escultor e voluntário numa fundação que ensina crianças a fazerem artesanato, ele participou da Volta Culural Colômbia de bicicleta em 1983 e desenvolveu um projeto de ciclorutas para Bogotá em 1988. As semelhanças entre o projeto de Maurício e a cicloruta que foi construída são impressionantes.

Gostou? Então veja entrevistas com outros ciclistas de Bogotá: a canadense Heather Sue e o americano Mike Ceasers.

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As ruas são planas e as ciclovias podem te levar para praticamente qualquer canto da cidade. Mas Bogotá tem ainda outra vantagem para os ciclistas: as comidas de rua. É só encostar a bike e comprar um petisco para matar a fome. A salada de frutas é o meu preferido. Formiga frita, suco de laranja com ovo de codorna e refrigerante de ovo eu dispenso… mas tive que provar pra saber qual era o gosto!

1. Água Aromática

Agua Aromatica.

Agua Aromatica.

Ela é vendida por ambulantes que carregam galões com rodinhas. Parece um chá BEM forte e amargo. Na hora de servir, o vendedor adiciona mel e, se você quiser, cachaça. O senhor Orlando, que me vendeu essa, disse que ela era super desintoxicante. (Não, eu não tive diarréria). Custa R$ 0,90.

2. Batatas, Bananas e Churros

Batata, Banana e Churros.

Batata, Banana e Churros.

Barraquinhas com esses três ítens são as mais comuns pelas ruas de Bogotá. Os três são fritos no mesmo óleo. Então acaba sendo bem comum encontrar um churro com gosto de banana ou uma banana com gosto de batata… O meu preferido dos três é o salgadinho de banana. Mas o churros também é uma delícia. Cada um deles custa por volta de R$ 0,90.

3. Chicharron

Chicharon.

Chicharon.

Esse é o petisco mais trash que encontrei à venda na rua. É feito com arepa (esse disco branquinho embaixo de tudo, que é feito de massa de milho), banana frita e toucinho. Custa R$ 1,80. Mas eu não tive a manha de provar…

4. Chontaduro

Chontaduro.

Chontaduro.

Essa frutinha é vendida em porções de seis unidades, todas descascadas e cobertas com mel. O gosto lembra o de uma batata doce assada, mas é um pouco mais amargo. Não está entre as que mais gostei… O preço: R$ 1,80 pela porção.

5. Chorizo

Chorizo.

Chorizo.

As linguiças daqui são chamadas de chorizo. São vendidas em porções com duas unidades, que custam R$ 1,40 ou nos perros calientes (cachorros quentes), que vêm só com maionese, ketchup e mostarda e saem por R$ 1,90.

6. Empanadas

Empanadas.

Empanadas.

Em quase todo canto de Bogotá é possível encontrar uma empanada pra comer. Por aqui, elas são feitas com uma massa frita e mais fina que a de São Paulo. Na rua, geralmente são mantidas em chapas quentes. Já nas lanchonetes e estabelecimentos maiores, elas são preparadas pela manhã e ficam em estufas de vidro. Na hora de servir, são aquecidas no microondas, por isso não aconselho que sejam ingeridas depois das quatro da tarde. Os preços variam bastante, mas estão na média de R$ 1,20.

7. Hormigas Culonas.

Hormigas Culonas

Hormigas Culonas

Isso mesmo, formigas bundudas. E fritas! A maioria das bichinhas vêm de Santander, pueblo próximo de Bogotá, são compradas por arrobas, preparadas com água salgada fervendo e, em seguida, fritas na chapa. Os pacotinhos de formigas ficam fechados e não há amostra grátis, pra provar tem que comprar. Não conheci nenhum turista que tenha gostado, mas os bogotenhos parecem apreciá-las muito. São vendidas em pacotes de diferentes tamanhos, que variam de R$ 0,70 a R$ 3,50.

8. Jugo con Huevos

Jugo con Huevos.

Jugo con Huevos.

Suco de laranja com um ovo de codorna cru quebrado na hora. Assim que despeja clara e gema sobre o suco, a vendedora te faz a pergunta “batido ou inteiro?”. E você, com a certeza de que não vai conseguir ter uma gema inteira dançando em sua boca, responde batido. Eu morri de nojo, mas quando provei quase não senti o gosto do ovo. “É para dar proteína”, me explicou a vendedora. Além do ovo também é possível adicionar vitaminas e energéticos. Custa R$ 0,90.

9. Mazorca

Mazorca.

Mazorca.

O grão de milho daqui é MUITO maior e mais suculento que o de São Paulo. Só por isso já vale a pena experimentar a mazorca, espiga de milho daqui. Mas o que a deixa ainda mais gostosa é que, em vez de cozida em água fervendo, é preparada na brasa com manteiga e sal. Espetacular. Sai por R$ 1,80.

10. Oblea

Oblea

Oblea

Esse doce é INTENSO. As obleas são feitas com massas crocantes que lembram a de uma bolacha waffer, arequipe (doce de leite), queso (queijo), crema de leche (creme de leite) e mora (creme de amora). Serve umas três pessoas e custa R$ 1,80.

11. Pinchos de pollo

Pincho de Pollo

Pincho de Pollo

Os espetinhos de frango empanados daqui são bem parecidos com os das padocas paulistanas. A diferença é que o frango daqui, para mim, é bem mais saboroso. Cada espetinho sai por R$ 0,90.

12. Pinchos de carne de res

Pincho de Carne de Res

Pincho de Carne de Res

Não, carne de res não é carne de gato, mas de boi – embora eu tenha lá minhas dúvidas. De qualquer forma, o grande diferencial dos espetinhos de carne daqui é que vêm com uma batata assada na ponta. A carne ruim e cheia de gordura é igual à de São Paulo. O preço é R$ 1,40.

13. Pony Malta

Pony Malta

Pony Malta

O vendedor passou um tempão me explicando o que era essa bebida. Tem gás, mas é bem diferente de um refrigerante. É doce. É escura. E daí ele acrescentou a informação que me fez torcer o nariz (ou a nariz, já que aqui eles dizem no feminino): é feito com ovos. E, vou te contar, nada como experimentar uma coisa que você achava que seria ruim e… constatar que é ruim! Custa R$ 1,30.

14. Queso Y Gyaiaba

Queso y Guaiaba.

Queso y Guaiaba.

Esse pacotinho de queijo Doble Crema (um tipo de queijo bem cremoso daqui) com goiabada é simplesmente divino. E custa R$ 0,80.

15. Salpicón

Salpicón.

Salpicón.

São bastante comuns as barraquinhas de frutas e salada de frutas (salpicón), vendidas em copinhos que variam de tamanho e custam de R$ 1,50 a R$ 2,00.

16. Sandwich

Sandwich.

Sandwich.

Os sandubas de presunto e queijo ficam armazenados em sacos plásticos. Na hora de servir, eles são colocados numa espécie de tostex para derreter o queijo e torrar o pão. Nada mais é que um misto no pão de hamburguer e custa R$ 1,50.

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Heather Sue é Canadense, mas vive em Bogotá há um ano e meio. Ela é uma das 350 mil pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte na cidade. Cheia de simpatia, me recebeu em sua casa, uma cobertura no bairro da Candelária, centro de Bogotá, para contar como é seu cotidiano de ciclista. Quando o assunto é bicicleta, Heather é enfática: “I think people should use it eveywhere” (acho que as pessoas deveriam utilizá-la em todos os lugares).

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